Archive for the ‘Fanzines’ Category

Extra 2 – Stiked!

Mangá on-line criado por  Wallace Nightwalker. O porfólio e outras histórias do autor você pode acessar o site http://sedmangas.blogspot.com.

Mangá Noite no Quarto

Hoje trago uma dica de leitura on-line do mangá “Noite do Quarto”  criada pelo artista Rodrigo Momad Mendez. A história, de 20 página faz parte de uma preparação do autor para projetos da história Inocência.

Para conhecer o trabalho do artista: http://mendezart.com

Patre Primordium

Patre Primordium

Recentemente estive no Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte de 2009 (FIQ). A grande vantagem do evento é que ele foi tomado por artistas independente que aproveitam o espaço para mostrar suas produções. Então você começa a fazer a “feira”. Enche a sacola de revistas e volta para casa todo satisfeito e louco para começar a leitura.

Entre vários títulos que trouxe de volta para casa um me chamou muito a atenção. Trata-se de Patre Primordium, uma excelente revista dos autores Ana Recalde e Fred Hildebrand. Trabalho profissional, que vai desde a construção da história, passando pelos desenhos e terminando no impecável acabamento gráfico.

E esta qualidade não é só percepção minha. Patre Primordium se destaca tanto, que chama atenção por onde passa, tendo, por exemplo,  matérias publicadas no jornal EstadãoO Tempo.

A Anime.com.br então foi atrás de uma entrevista para conhecer a dupla criadora de Patre Primordiu, e descobriu que, além de verdadeiros guerreiros do quadrinho nacional, são pessoas adoráveis e atenciosas.

Segue a entrevista:

AUTORES

San Watanabe - Gostaria de começar conhecendo um pouco mais sobre quem é Ana Recalde e Fred Hildebrand?

Fred Hildebrand: Tenho 23 anos, nasci e moro em Campo Grande MS, sou formado em Artes Visuais pela UFMS. Atualmente trabalho ministrando um curso de mangá aqui em Campo Grande, nas lojas Arte e Técnica e Game Square. O resto do tempo trabalho só com a Patre Primordium.
Acho que meu interesse nos quadrinhos surgiu um pouco depois de adolescente. Quando criança, eu não curtia muito os comics, achava o traço muito feio e sujo, de uma certa forma sempre achei que um traço mais limpo mais atrativo. Então quando comecei a assistir animes, achei muito legal o tipo de desenho e as expressões.

O interesse por quadrinhos mesmo, acho que surgiu lá pelos 14 anos, quando começaram a sair mais mangás nas bancas. Nessa época eu já acompanhava Holy Avenger, então depois disso comecei a colecionar os mangás importados.

Em relação a referências, eu gosto muito dos estilos do Takehiko Inoue, Masakazu Katsura, Yukito Kishiro, Hiroaki Samura, Tite Kubo, Kyo Hatsuki e por ai vai ehauehau. Sempre gostei muito de histórias de ação, luta e garotas bonitas haeuaheu, mas devo dizer que quando li Video Girl Ai, Slam Dunk, Nana e Love Junkies, o gênero com histórias mais sobre o cotidiano, ou sobre coisas normais me atraiu muito.

Ana Recalde: Temos quantas páginas mesmo pra responder? (risos) Eu costumo escrever muito, por isso vou me controlar um pouco aqui.

Eu nasci em Campo Grande – MS como o Fred, mas morei em muitos lugares diferentes, São Paulo, Brasília e hoje eu moro no Rio de Janeiro. Trabalhei a maior parte do tempo com rádio e televisão, como produtora, roteirista e mesmo apresentadora. Meu interesse por quadrinhos começou com uns 12/13 anos, com exatamente os comics, hehehe. Engraçado como eu e o Fred temos influencias diferentes. Eu sou muito influenciada pela narrativa do Neil Gaiman, Frank Miller, Takehiko Inoue, poxa eu leio tantos autores de quadrinhos diferentes que é difícil citar todos.

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San - Existem experiências de publicações de quadrinhos antes da Patre Primordium?

FH: Olha, profissional não. Já trabalhei com ilustrações aqui em CG, mas nada no nível de publicação da Patre.
AR: A Patre também é a minha estréia nos quadrinhos.

San - Uma coisa que muito me chamou a atenção foi o Expediente da revista. Nota-se uma grande estrutura na produção. Existe uma editora e uma equipe que vai desde diagramação, passando por Marketing e apoios? Como é esta estrutura? Quem são os profissionais que ajudam a fazer o trabalho?

FH: Bom, eu acho que, ao contrário do que muita gente pensa e diz, quadrinhos não são uma coisa de produção solitária. Gosto de ter pessoas para discutir, para ajudar a produzir. Primeiro que você troca vários tipos de informações e experiências, fazendo com que todos aprendam cada vez mais e ter uma equipe torna a produção mais rápida.

Na parte da arte, temos 4 pessoas que trabalham na Patre, eu que sou responsável pelos desenhos e a arte final. Temos o Denis Feliz, formado em Artes Visuais, que é o responsável pela colorização da Capa e temos o Helton Pérez, formado em jornalismo, que cuida das reticulas e as cores das paginas internas. Na parte da diagramação temos a Mari Armôa, que é publicitária.

AR: A gente nunca daria conta de ter a qualidade da Patre no tempo que produzimos apenas nós dois. Todos os membros da Liga Primordium adicionam muito na produção final! Temos ainda a Sandra Recalde que faz a coordenação de marketing, que mantém ações nos blogs, nas revistas, jornais, redes sociais, e as empresas Wave e X4IDS que ajudam a desenvolver os layouts do site e das peças publicitárias. E o Kalil, através da editora Gol que foi o grande parceiro para tornar tudo esse projeto possível, nos patrocinando com os custos de gráfica, frete e eventos. Bem como foram os desenvolvedores do aplicativo para o Iphone.

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REVISTA PATRE PRIMORDIUM

San- Por que a decisão pela estética do mangá?

FH: Bom, eu sempre desenhei com estilo baseado no mangá, então quando eu e a Ana começamos a conversar sobre a criação da Amanda, já fomos fazendo tudo com essa base de estilo.

AR: A ideia de fazer a Patre nasceu há quase 4 anos já, e sempre foi uma parceria minha com o Fred, nunca pensamos em fazer nada que não fosse o traço do Fred. Claro que tem o meu dedo, portanto a narrativa não fica completamente mangá. É até engraçado que tem muita gente que diz que chegamos num meio termo com a nossa revista.

San- Em quanto tempo fica pronta uma edição da Patre Primordium?

FH: Bom, a parte do desenho e da arte final, fica pronto em média de 18 a 20 dias. Como já temos um prazo estabelecido por nós mesmos, as outras etapas da produção seguem esse prazo, mas eu tenho que ficar com os capítulos sempre adiantados.

AR: Varia muito o tempo de produção do roteiro, tenho que admitir. Tem meses que eu posso fazer mais de um até, hehehe. Mas no geral um demoro umas 3 ou 4 horas pra finaliza um roteiro de 25 a 30 páginas. Do tempo de sentar e terminar de escrever.

San- Qual é a tiragem da revista?

AR: Hoje temos uma tiragem de 5mil exemplares.

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San- Como é feita a distribuição?

AR: A distribuição é feita por nós mesmos, que mandamos diretamente para as Comic shops. O contato é direto, uma coisa bem artesanal mesmo.

San- Além da revista existe site, comunidades no orkut, twitter, youtube e um aplicativo Mobile. Qual é a importância das novas ferramentas tecnológicas e como ela vem transformando o modo de fazer e também se relacionar com seus leitores?

AR: Toda! Sem essas canais não conseguiríamos chegar nos lugares onde chegamos. Muitos dos nossos leitores e fãs vieram da internet, além de ter sido o nosso carro chefe em termos de publicidade. A publicidade tradicional é muito cara e nem sempre chega no público-alvo dos quadrinhos. Essas ferramentas também auxiliam os leitores como suporte. Temos vários planos pra colocar conteúdo exclusivo no site também. Além do execelente aplicativo que foi desenvolvido pela Gol Mobile.

FH: Realmente, acho que a internet foi e está sendo nossa grande aliada nisso tudo. Ela também possibilita que os leitores fiquem até mais próximos de nós, nos seguindo no twitter ou entrando nas nossas comunidades no Orkut. Acho que uma das coisas mais legais que vi por esses tempos, algumas pessoas já se referindo a Patre como um mangá nacional.

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MERCADO

San- Como é o cenário de quadrinhos no Mato Grosso do Sul? E no Rio de Janeiro?

FH: Olha, aqui em Mato Grosso do Sul, a produção de quadrinhos é bem escassa. Existem várias pessoas que desenham e pensam em suas histórias, mas elas acabam não levando isso pra frente. Atualmente só tem um fanzine que é produzido na cidade, tirando a PATRE PRIMORDIUM, que é a nossa revista né. aheuaheuhaue

AR: A produção de quadrinhos no Rio é bem maior que em Campo Grande, claro, hehehehe… Mas mesmo assim eu acho pequena para o centro cultural que o Rio de Janeiro representa. Não temos grandes eventos de quadrinhos por aqui, por exemplo. O que temos são vários artistas fazendo a sua parte e produzindo, mas pouca iniciativa de investir nesse ramo.

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San- Como vocês enxergam o mercado independente de HQ no Brasil?

AR: Eu vejo como o grande saída do quadrinho nacional hoje. Eu vi isso na FIQ desse ano, onde os melhores títulos foram os independentes. Quem está trazendo inovação e boas coisas hoje é esse nicho. É só olhar para o MSP50 que saiu esse ano, muitos daqueles autores publica de forma independente hoje no Brasil. Se temos tanta gente boa assim, por que não temos um grande mercado? Mas, calma, nós temos! Taí a Panini que não nos deixa mentir. Público consumidor tem, quadrinhistas de qualidade também, então o que falta? O intermediário, as editoras, as distribuidoras se mexerem, Enquanto isso não acontece, o mercado de quadrinhos não pode parar.

FH: Olha, eu concordo com a Ana. Nesse momento a grande saída, para quem produz quadrinhos, está no ramo independente. Eu posso não conhecer tanto dessa área quanto a Ana, mas o tanto de coisas que vi dentro do quarto mundo não é brincadeira. Eu acho que só falta o público consumidor buscar mais esse tipo de publicação.

San- A qualidade dos quadrinhos nacionais tem melhorado?

AR: Como assim tem melhorado? O pessoal do chiclete com banana era ruim? Toda a galera que fazia terror alguns anos atrás era ruim? Temos o Shimamoto, o Jayme Cortez, o Colonese, vários mestres da nona arte que faziam e fazem quadrinhos no Brasil. Mesmo no mangá temos nomes como Érika Awano, o Cassaro, o Daniel HDR. Os Gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá ganhando prêmios no exterior, enquanto no Brasil eles faziam fanzines há alguns anos atrás. Temos quadrinhos nacionais de excelente qualidade, tanto que exportamos muitos artistas! O problema é esse tipo de coisa chegar no grande público. Quanto aos independentes feitos hoje em dia eu posso tirar o exemplo da banca do Quarto Mundo na FIQ, tinha mais de 100 títulos diferentes a disposição para o público, só para ter uma noção da variedade da produção! Isso que estamos falando de apenas um estande. Se ainda resta alguma dúvida sobre o quadrinho nacional ter uma produção excelente, basta ver a obra que citei acima, MSP50. É uma pena que olhem apenas para os excelentes artistas que temos quando o trabalho é validado por uma grande editora, ou um grande artista como o Mauricio de Souza para abrir espaço.

San- Na revista existe o selo de um grupo que vem se destacando no Brasil
que é o Quarto Mundo. Qual é a relação como o grupo?

AR: O Quarto Mundo é um coletivo de quadrinhistas que se uniram para facilitar a vida de quem faz quadrinho independente, como fazer um estande juntos para a FIQ, por exemplo. Também nos organizamos para distribuir as revistas, em um esquema muito legal, onde cada autor recebe a revista do outro e revende como faz com as dele. Nos eventos e para divulgação também ajuda muito, pois temos várias pessoas, com vários contatos diferentes, que nos possibilitam chegar muito mais longe que sozinhos. Eu, por exemplo, faço parte do núcleo que cuida de distribuição no Quarto Mundo.

FH: Sem contar no número de artistas que se pode conhecer no Quarto Mundo, e artistas de mão cheia. Bom, voltando a minha época de rpgista, eu acho que o Quarto Mundo é uma grande matilha de lobisomens, ele está ali pra você como uma família, que pode te ajudar e te apoiar, mas que também precisa da sua dedicação e trabalho duro, afinal de contas. O Quarto Mundo só está onde está porque todos estão cooperando e lutando por um ideal, ninguém aqui quer ficar parado em serviço ou está no Quarto Mundo pra ser levado pela mão.

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A Anime.com.br agradece aos autores.

Acesse o site oficial de Patre Primordium: www.patreprimordium.com.br.
Para comprar a revista: http://patreprimordium.com.br/patre/onde-comprar

Abaixo fique com uma sequência de construção de página, do roteiro até a finalização da arte da Patre Primordium.

Uma página do roteiro de Patre Primordium

Uma página do roteiro de Patre Primordium

Esboço...

Um sequência, começando pelo esboço...

arte-final ...

passando pela arte-final ...

e aplicação de cor e retículas.

e terminando na aplicação de tons de cinza e retículas.

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